A recente instalação de um transformador trifásico nas proximidades do Hospital de Pequeno Porte de Ananás expõe mais do que um avanço técnico: revela um atraso difícil de justificar na efetivação de um serviço básico de saúde. O equipamento de energia é pré-requisito para o funcionamento de um aparelho de raio-x adquirido ainda em 2022 e que, passados mais de dois anos, segue sem atender a população. A medida só saiu do papel após cobranças formais do Ministério Público do Tocantins, o que levanta questionamentos sobre a capacidade de planejamento e execução da gestão Robson do Zé Geraldo diante de demandas essenciais.
Durante vistoria realizada nesta terça-feira (13), o promotor de Justiça Gilmar Pereira Avelino constatou que, apesar do transformador instalado, o serviço continua longe de se tornar realidade. Ainda faltam a ligação do equipamento à rede elétrica — responsabilidade da concessionária Energisa —, adequações físicas no espaço onde o raio-x está instalado e a capacitação da equipe que irá operá-lo. Ou seja, o principal problema permanece: o exame não está disponível à população, mesmo após anos de espera e investimento público já realizado.
Enquanto prazos são novamente prometidos, agora com previsão de funcionamento apenas para março, pacientes seguem sendo obrigados a percorrer cerca de 80 quilômetros até Xambioá para realizar exames simples. A situação provoca um debate inevitável: por que um equipamento comprado em 2022 só agora começa a receber as condições mínimas para operar? A dependência da intervenção do Ministério Público e a sucessão de etapas inacabadas reforçam a percepção de improviso e lentidão administrativa, transferindo à população o custo real da ineficiência — em tempo, deslocamento e risco à saúde.




