governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), ficou calado durante o depoimento ao ministro do Superior Tribunal de Justiça, Mauro Campbell. O advogado do governador informou que ele só vai responder às perguntas após ter acesso aos autos da investigação. O chefe do poder executivo no estado foi alvo da Operação Convergência, que é a 5ª fase da Operação Ápia.
A Polícia Federal deflagrou a operação para investigar se houve pagamentos indevidos em obras de infraestrutura no estado. Além do governador, o procurador-geral de Justiça, Clenan Renaut de Melo Pereira também é alvo desta fase. Renault comanda o Ministério Público Estadual e está sendo investigado por ter recomendado ao estado que pagasse por uma obra de rodovia que estava sob suspeita. A construtora que fez a obra tem um contrato com os filhos do procurador.
O depoimento de Marcelo Miranda começou por volta das 10h e durou apenas uma hora. Já Clenan Renaut de Melo Pereira estava no interior e está voltando para Palmas para depor, a expectativa é que ele seja ouvido ainda na tarde desta sexta-feira (18).
O ministro Mauro Campbell veio de Brasília para Palmas apenas para o depoimento de Marcelo Miranda. Isso aconteceu porque Miranda ainda exerce o cargo de governador e por isso tem foro privilegiado.
O governador informou, através da assessoria de imprensa, que está à disposição da Justiça, Ministério Público Federal e Polícia Federal, para esclarecer quaisquer fatos, quando tiver acesso aos documentos que deram origem à operação. Informou ainda que não cometeu qualquer ato ilícito.
O Ministério Público Estadual confirmou a operação de busca e apreensão por parte da Polícia Federal no gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça e na casa do procurador-geral, em cumprimento a mandado expedido pelo ministro Mauro Campbell. Informou também que não houve mandado de condução coercitiva, mas que o procurador está saindo do interior do estado para a cidade de Palmas a fim de prestar todos os esclarecimentos.
Segundo a Polícia Federal, cerca de 40 agentes cumpriram mandados de busca e apreensão e intimações. Todos os depoimentos serão acompanhados pelo ministro do STJ e por um subprocurador da República.
A apuração, que tramita no STJ, apontou que obras de terraplanagem e pavimentação asfáltica realizadas no estado entre 2011 e 2014 custaram cerca de aproximadamente R$ 850 milhões, e geraram créditos indevidos a empresários.
A operação foi nomeada de “Convergência” porque faz interseção entre a Operação Ápia e Operação Reis do Gado.





